O IORC ( Instituto de Osmar Rodrigues Cruz )
O Instituto Osmar Rodrigues Cruz (IORC) foi formalmente criado em 2009,
registrado como uma instituição sem fins lucrativos (ONG).
Osmar Rodrigues Cruz que foi o criador e diretor do Teatro Popular do
Sesi -TPS – durante 40 anos e possui uma biblioteca particular formada por
um acervo de grande valor, cerca de 20 mil exemplares (livros datados dos
séculos XVII, XVIII e XIX, manuscritos, coleções numeradas, peças, revistas,
etc.).
Após seu falecimento foi criado o Instituto Osmar Rodrigues Cruz que tem
por missão preservar uma parte da memória do teatro nacional, por meio da
divulgação, via site, do acervo particular de Osmar Rodrigues Cruz.
Possuindo uma biblioteca particular formada por um acervo de grande valor
que ele não adquiriu com o intuito de ser um mero colecionador, tampouco de
comercializar esse material, mas sim, movido unicamente por sua curiosidade
intelectual, Osmar Rodrigues Cruz procurou dividi-la, na medida do possível,
com outras pessoas, movidas pela mesma curiosidade, permitindo consultas
para a realização de trabalhos de pesquisa, tais como dissertações e teses.
Apesar de ver com grande dificuldade a possibilidade de mantê-la, ele jamais
pensou na possibilidade de vendê-la, ainda que tenha recebido propostas para
isso, pois se o fizesse acabaria por consentir que seu acervo ficasse nas mãos
de um grupo restrito. A possibilidade de doá-la para uma universidade,
considerando que nenhuma instituição de ensino e pesquisa tenha um acervo
de valor igual, teve de ser descartada porque, infelizmente, as universidades
não possuem a necessária infraestrutura para manter um acervo dessa
grandiosidade, constituído de obras antigas que não podem ser submetidas à
consulta por manuseio, porque isso as condenaria a um fim.
Esse Instituto, portanto, tem como objetivo organizar uma biblioteca virtual
que, na realidade, terá condições de preservar este acervo para as futuras
gerações e, ao mesmo tempo, colocá-lo à disposição de um público maior de
pesquisadores tão inquietos quanto Osmar Rodrigues Cruz.
Essa biblioteca atingiria a um público ainda mais heterogêneo pelo fato de
poder ser acessada via Internet. A repercussão dessa biblioteca, na difusão do
conhecimento, permitiria a continuidade do trabalho que teve início com o TPS,
porque, através da Internet, as escolas públicas poderiam expor alunos das
classes menos favorecidas à arte e à cultura, permitindo-lhes pensar o teatro
como um lugar de participação e não de mero lazer.
Há que se considerar ainda a necessidade de promover esse conhecimento
específico junto aos educadores e aos profissionais de áreas que tangenciam
com esse tipo de arte, formando profissionais mais críticos e de formação mais
sólida, sobretudo em um país como o Brasil.
O sistema de educação no Brasil, que vem se democratizando, ainda é muito
carente de um ensino mais investigativo, mais pautado na reflexão, voltado
para a formação de uma postura crítica. A ausência de reconhecimento mais
expressivo, na forma de remuneração de seus professores, acaba não
incentivando e até desestimulando o educador a buscar aperfeiçoamento e
conhecimento em cursos de pós-graduação, que na verdade são frequentados
por um número muito baixo de pessoas que formam o pico da pirâmide, que
tem uma grande base.
Um país onde se tem 40% de analfabetos, 70% de ANALFABETOS FUNCIONAIS
e cujo ensino fundamental prima por uma linha de não reprovação é formado
por um público carente de conhecimento que não desenvolve sua capacidade
interpretativa e crítica. E quando conseguem, têm de limitar-se às instituições
particulares, porque as públicas, onde o ensino é de maior valor, acabam se
tornando um monopólio das classes mais elitizadas, cujos filhos têm acesso a
um ensino de melhor qualidade em escolas particulares. A faculdade acaba
tendo de dar conta de resolver as questões adiadas pelos ensino fundamental e
médio para nivelar o conhecimento do aluno.
Profissionais com uma formação restrita e muito pouco eclética não buscam o
teatro como um lugar de arte e cultura – de formação de consciência
– mas sim de lazer.
Uma biblioteca dessa natureza que iria ao encontro daqueles que necessitem de
uma melhor formação mudará esse perfil, a médio e longo prazo. O Projeto
Educacional inicial visa colocar à disposição de escolas em geral e de Escolas
Públicas do Estado e Município em particular, além das universidades e
escolas técnicas, uma enorme fonte de conhecimento de qualidade inclusive
atraente, porque o teatro sempre desperta um gosto especial. A médio e longo
prazo favorecerá as escolas permitindo-lhes conhecer o funcionamento do
teatro, favorecendo a criação de grupos de teatro e, finalmente, permitindo que o teatro seja um lugar de aprendizado da própria língua e do conhecimento do
potencial de expressão de cada um, criando um intercâmbio com os próprios
estudantes de Artes Cênicas para que sejam despertados para o valor do
teatro popular como formador de consciências mais críticas, tomando-
o como um meio e não simplesmente como um fim.
É fundamental que se considere que desde a sua própria colonização, o Brasil
sempre sofreu as consequências de uma política que resiste a formar um povo
mais consciente de seus deveres e direitos de cidadãos, de seus valores
culturais, crítico dentro da sua própria realidade, porque o perfil de um povo
não informado sempre foi favorável à manutenção de governos
autoritários e à perpetuação de uma política centrada em interesses
de elites.
