A Biblioteca do Instituto Osmar Rodrigues Cruz
Ao longo de 50 anos, Osmar Rodrigues Cruz reuniu um acervo raro que conta com mais de 15 mil exemplares.
Como pesquisador curioso e interessado nos temas mais relevantes, ia ao encontro de livrarias, sebos e livreiros já seus conhecidos, em busca de novidades sobre teatro e todas as artes que o tangenciam. Novidades às vezes peculiares como obras datadas dos séculos XVII, XVIII e até manuscritos.
Certa vez arrematou um lote vindo de Portugal, um sebo inteiro, onde encontramos até arquivo pessoal de um importante encenador português que por aqui deixou sua marca. Parte do acervo de Procópio Ferreira encontra-se aqui, assim como livros do século XIX com assinatura do autor.
Livros estrangeiros de edição numerada de primeiro lote, coleções sobre história do teatro em todos os idiomas latinos e também em inglês.
Seu acervo de peças, inclusive datilografadas, é ímpar com edições originais e traduções em diversos idiomas.
Coleção completa da revista da SBAT até o ano 2000, bem como coleções de revistas italianas Il Dramma e Sipario desde seus primeiros números.
Enquanto se aguardam subsídios para local apropriado para consultas, indexação e conservação do acervo, como também futura publicação das obras raras na internet, a biblioteca não se encontra em abandono.
Durante o ano de 2011 foi efetuada limpeza e catalogação para contagem de parte do acervo, a fim de aguardar seu tombamento definitivo.
Apurou-se:
DRAMATURGIA – aproximadamente 2.444 volumes
PEÇAS DATILOGRAFADAS – 676 textos
468 programas de peças brasileiras
COLEÇÕES DE REVISTAS ESTRANGEIRAS – 2.810
REVISTAS E CATÁLOGOS – 1.958
LIVROS de estudo – 7.411
Obras raras e antigas:
Mémoires sur Molière (1822)
Discours sur la Comédie (1731)
La Pratique du Théâtre (1657)
Observations sur la Comédie (1736)
Trattato Completo del Teatro (1794)
Textos e estudos de ORC sobre as peças por ele encenadas.
Arquivo pessoal com reportagens jornalísticas.
68 quadros e posters de suas encenações.
5 jogos de slides de companhias estrangeiras.
TOTAL EM VOLUMES 15.767
Inventário do Acervo
O Instituto Osmar Rodrigues Cruz gostaria de ressaltar que os documentos não pretendem ser uma indexação.
Foi apenas uma reprodução da organização espacial que apenas Osmar Rodrigues Cruz possuía.
E agora servem como ilustração do que a biblioteca possui, segue abaixo o botão para acessar uma amostra do inventário:
DOWNLOAD DO INVENTÁRIO
O Teatro e sua Técnica
Autor: Osmar Rodrigues Cruz
Ano: 1876
Editora: LIVRARIA TEIXEIRA
Idioma: Português
Como se faz rir e o que penso quando não tenho o que pensar
Autor: Procópio Ferreira
Ano: 1967
Editora: Folco Masucci
Idioma: Português
Revista do Teatro Amador
Autor: Osmar Rodrigues Cruz
Ano: 1960
Editora: O Papel Ltda
Idioma: Português
Uma Vida no Teatro
Autor: Osmar Rodrigues Cruz e Eugênia Rodrigues Cruz
Ano: 2001
Editora: Hucitec
Idioma: Português
Possuindo uma biblioteca particular formada por um acervo de grande valor que ele não adquiriu com o intuito de ser um mero colecionador, tampouco de comercializar esse material, mas sim, movido unicamente por sua curiosidade intelectual, Osmar Rodrigues Cruz tem procurado dividi-la, na medida do possível, com outras pessoas, movidas pela mesma curiosidade, permitindo consultas para a realização de trabalhos de pesquisa, tais como dissertações e teses.
Apesar de ver com grande dificuldade a possibilidade de mantê-la, ele não pensa na possibilidade de vendê-la, ainda que tenha recebido propostas para isso, pois se o fizesse acabaria por consentir que seu acervo ficasse nas mãos de um grupo restrito. A possibilidade de doá-la para uma universidade, considerando que nenhuma instituição de ensino e pesquisa tenha um acervo de valor igual, teve de ser descartada porque, infelizmente, as universidades não possuem a necessária infra-estrutura para manter um acervo dessa grandiosidade, constituído de obras antigas que não podem ser submetidas à consulta por manuseio, porque isso as condenaria a um fim.
Esse projeto, portanto, tem como objetivo organizar uma biblioteca virtual que, na realidade, terá condições de preservar este acervo para as futuras gerações e, ao mesmo tempo, colocá-lo à disposição de um público maior de pesquisadores tão inquietos quanto Osmar Rodrigues Cruz.
Essa biblioteca atingiria a um público ainda mais heterogêneo pelo fato de poder ser acessada via Internet. A repercussão dessa biblioteca, na difusão do conhecimento, permitiria a continuidade do trabalho que teve início com o TPS, porque, através da Internet, as escolas públicas poderiam expor alunos das classes menos favorecidas à arte e à cultura, permitindo-lhes pensar o teatro como um lugar de participação e não de mero lazer.
Há que se considerar ainda a necessidade de promover esse conhecimento específico junto ao profissional de teatro, para seu aprimoramento, junto aos educadores e aos profissionais de áreas que tangenciam com esse tipo de arte, formando profissionais mais críticos e de formação mais sólida, sobretudo em um país como o Brasil.
É fundamental que se considere que desde a sua própria colonização, o Brasil sempre sofreu as conseqüências de uma política que resiste a formar um povo mais consciente de seus deveres e direitos de cidadãos, de seus valores culturais, crítico dentro da sua própria realidade, porque o perfil de um povo não informado sempre foi favorável à manutenção de governos autoritários e à perpetuação de uma política centrada em interesses de elites.
O sistema de educação no Brasil, que vem se democratizando, ainda é muito carente de um ensino mais investigativo, mais pautado na reflexão, voltado para a formação de uma postura crítica. A ausência de reconhecimento mais expressivo, na forma de remuneração de seus professores, acaba não incentivando e até desestimulando o educador a buscar aperfeiçoamento e conhecimento em cursos de pós-graduação, que na verdade são freqüentados por um número muito baixo de pessoas que formam o pico da pirâmide, que tem uma grande base.
Um país onde se tem 35,8% de analfabetos e cujo ensino fundamental prima por uma linha de não reprovação é formado por um público carente de conhecimento que não desenvolve sua capacidade interpretativa e crítica. E quando conseguem, têm de limitar-se às instituições particulares, porque as públicas, onde o ensino é de maior valor, acabam se tornando um monopólio das classes mais elitizadas, cujos filhos têm acesso a um ensino de melhor qualidade em escolas particulares. A faculdade acaba tendo de dar conta de resolver as questões adiadas pelos ensino fundamental e médio para nivelar o conhecimento do aluno. Profissionais com uma formação restrita e muito pouco eclética não buscam o teatro como um lugar de arte e cultura – de formação de consciência – mas sim de lazer.
